quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE



O estado do Maranhão descortina-se à minha vista e vai muito além dos belos olhos verdes que encontrei. Uma descoberta feita a cada leitura! E que boa literaturara tem essa terra, cuja beleza (literária) caminha em paralelo aos Lençóis maranhenses (que ainda hei de conhecer).

Sempre fiz criticas contundentes ao aspecto físico das ruas/estradas, e da conservação geral das cidades que conheci. A primeira impressão não foi nada boa. 
Negativa portanto.

Os recantos famosos pareciam apenas atraentes nos cartões postais e isso era de causar espécie. Como um estado, que teve nos últimos trinta anos representantes políticos ocupando cargos na esfera nacional, podia estar assim tão abandonado?


Já vislumbro uma melhora desde o ano passado. Sei também que não se corrige anos de atraso em um mandato.




Como por encanto descubro na literatura o verdadeiro Maranhão. Terra bela, viva, diferente e capaz de atrair a atenção positiva de quem dele se aproxime. É possível ser mais que turista nessas terras...

Já citei Gonçalves Dias, Coelho Neto e Maria Firmino. Agora, mais uma grata surpresa:



CATULO DA PAIXÃO CEARENSE







Obra em Destaque:








“LUAR DO SERTÃO” (1914)


(Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco)

(“Obs.: a letra de “LUAR DO SERTÃO é muito extensa e quase nunca foi gravada integralmente. Letra completa e Original, extraída do livro “Minhas Serestas” de Loris R. Pereira, páginas 61/64.”)
()

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Oh! que saudade do luar da minha terra,
Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão,
Esse luar cá da cidade, tão escuro,
Não tem aquela saudade,
Do luar lá do sertão.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Se a lua nasce por detrás, da verde mata,
Mais parece um sol de prata,
Prateando a solidão,
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
Dentro d’alma, onde flutua,
Também rubra, nasce a dor,
E a lua sobe…
E o sangue muda em claridade!
E a nossa dor muda em saudade…
Branca, assim, da mesma cor!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Ai!… Quem me dera, que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde a surunina,
Chora sua viuvez.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Diz uma trova,
Que o sertão todo conhece,
Que se à noite o céu floresce,
Nos encanta e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas,
Lá do seu jardim de luz!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Mas como é lindo ver depois,
Por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato,
Transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando,
Ir, por sua vez roubando,
As estrelas lá do céu!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

A gente fria desta terra sem poesia,
Não se importa com esta lua,
Nem faz caso do luar,
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira,
Vendo a lua a meditar.

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Coisa mais bela neste mundo não existe,
Do que ouvir um galo triste,
No sertão, se faz luar,
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta,
Desse galo a soluçar!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Se Deus me ouvisse, com amor e caridade,
Me faria esta vontade,
O ideal do coração!
Era que a morte,
A descantar, me surpreendesse, e eu morresse
Numa noite de luar, no meu sertão!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

E quando a lua surge em noites estreladas,
Nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza,
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
A do meu sertão, do meu sertão primaveril,
Disse aos arcanjos que era o hino da poesia,
E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil!

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como esse do sertão.”

Pois só nas noites do sertão de lua plena,
Quando a lua é uma açucena,
É uma flor primaveril,
É que o poeta, descantado a noite inteira…”


Outras referências:


1) http://www.gutiproducoes.com.br/luar-do-sertao-1914/

2) http://mesquita.blog.br/catulo-da-paixao-cearense-versos-na-tarde-07112014

3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Catulo_da_Paix%C3%A3o_Cearense

4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Luar_do_Sert%C3%A3o




OZEAS CB RAMOS
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