quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O QUE TE MOVE?


Dista quando aprendi que ao se abordar uma pessoa mais velha melhor seria perguntar-lhe “o que tens feito”? e não “como está”?

A segunda, via de regra, remeterá o perguntado aos dilemas que por ventura esteja mergulhado. E você verá derramado um calhamaço de suas dores, problemas, etc. O que não o ajuda em nada, nem a você. A primeira indagação o desafia a relatar as suas andanças, peripécias, laborais ou não. Ainda que se obtenha como resposta: “aqui, fazendo o que peixe faz e esperando o vento passar”.

“Não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas”.

A melhor fase de uma criança é para mim quando ela alcança o tempo dos por quês. Porque isso e, você após passar em revista o que sabe, ela emenda com outro por que? O por que do porque. É um sem fim de curiosidades ao cubo remetendo ao infinito.  Uma que me maravilhou e desafiou: - pai, se o mundo gira, por que eu não fico tonto?

Aí, o tempo passa, a gente fica besta e sem tempo para as curiosidades. Perdemos o fôlego. E junto com ele a paciência. É um tal de: “não me venha com suas perguntas...”, “não é hora para seus por quês”, “preciso de respostas...”. É quando digo que perdemos dois espíritos: o científico  e o filosófico. O científico da criança; o filosófico do idoso.

A coisa piora quando passamos a assimilar, adquirir, preferir as respostas prontas. De preferência perguntas+respostas. Se der, umas poucas explicações, comentários. Tudo muito breve. Ah! E ainda: pode resumir?

Uma última dificuldade é que passamos a viver como se soubéssemos de tudo. Alinhamos um modo de vida cômodo, confortável, em que não cabem novas perguntas e nem novas respostas. O que temos por hora é o que nos basta.
Sobra para a vida repor as coisas na ordem natural.

“Quando achamos que temos todas as respostas, a vida muda todas as perguntas”.

Outro dia ouvi uma pessoa falando ao celular. Como falava alto pude ouvir sem dificuldade uma de suas falas: “99% de ser lá mesmo”. Olhe ela aí: dúvida em um por cento.
É a vida.

E quanto a você, o que te move?


OZEAS CB RAMOS
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