domingo, 5 de julho de 2015

TEM SIDO ASSIM: UM PRATO COM FEIJÃO E UM LIVRO


Tenho uma prima que mora aqui perto. Triste azar o dela... Quando a fome alarma é para lá que eu corro, tipicamente no jantar, quando após chegar por volta das vinte horas o corpo não aguenta, de tão cansado, nem preparar miojo! Reconhecem aquela noite em que preparar uma xícara de café solúvel, para um simplório café com pão, é tarefa inimaginável? Pois bem, a fórmula aqui é simples: famélico+cansado=casa de prima.

Chego e o grito é sempre o mesmo: − Pão para quem tem fome. E ela, bondosa, corre para a geladeira, sempre com muitas opções vai tentando saber o que mais agradaria. Demoramos até que um entenda o outro: ela oferecendo as opções e eu querendo apenas um prato com feijão, pequena quantidade, diga-se de passagem, com qualquer acompanhamento ainda que um delicioso ovo estrelado.

Resolvido esse impasse recorrente e ainda outro com a escolha do sabor do suco, umas bobagens conversadas enquanto a árdua tarefa de vencer aquele prato é levada a cabo.
Passa um de seus filhos, depois o outro. Cada um com as particularidades de sua idade. O marido dá seus apartes breves e segue para seu canto.

Porém, além do feijão eu sempre busco por lá outro favor: encontrar um livro (como diz Miguel: um assim tipo dois).

Tenho lido usando o celular baixando livros na biblioteca do Google play (muitos bons livros gratuitos para download). Quebra um galho na espera do ônibus ou mesmo durante o translado casa/trabalho/casa. Mas não é a mesma coisa. Livro é livro. Folhear um livro é magia que não abandonarei mesmo com a modernidade trazida pela tecnologia. Tê-lo nas mãos, marcá-lo, escrever notas como quem conversa com o autor ou personagens, traz uma sensação de agrado indescritível.

Ela tem uma biblioteca “escondida” e, na maioria das vezes, encontro livros ainda não lidos. Tem sido assim: um prato com feijão e um livro. Dois alimentos para saciar um faminto.

OZEAS CB RAMOS
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