quarta-feira, 20 de maio de 2015

FILHO DE UMA PUTA!



Estava acompanhando um programa policial numa tarde dessa quando ouvi o apresentador falar em tom irônico e perplexo: - Quem iria assaltar um senhor desse? Nessa idade? – Ele se referia ao caso apresentado como sendo de um assaltante “monstro” que além de roubar ainda agrediu um idoso. Foi quando me lembrei desse acontecido.

Aqui onde moro em Simões Filho-BA, tem um caboclo que sai todos os dias para vender. Baixa estatura, sempre ligeiro no caminhar e aparentando ter pouco menos que sessenta anos. Pelas ruas grita seu produto com orgulho. Sendo um dia: - Olha o sonho! – em outro dia: - Pastel e banana real! Nunca perguntei qual a lógica mercadológica dele vender produtos diferenciados de modo alternado. A gente nunca percebe qual produto ele vai passar vendendo.

Hoje sai por dois reais e cinquenta centavos cada peça. Há sonho com goiabada ou com doce de leite. E quantos às bananas, ele entrega com e sem açúcar. Das possibilidades eu só não experimentei o pastel. Considero deliciosos os outros tipos provados e aprovados.

No horário que passa anunciando seus produtos, sempre depois das quinze horas, a fome já aperta a alma; chova ou faça sol lá vem ele.

Eu penso e valorizo todo o seu trabalho. Presumo serem sessenta peças todo dia. Sair e comprar os ingredientes. Iniciar e preparar cada peça. Arrumar e percorrer as ruas para vender e somente aí poder voltar para casa e contar com o lucro disponível para satisfazer as necessidades pessoais.

Ele é normalmente um sujeito de poucas palavras. Conversa o essencial para processar a venda e parte a toda, pois sempre há gente chamando logo à frente. Mas nessa tarde não somente parou para conversar, mas contou uma história que seria engraçada se não fosse trágica, e apresentava um olhar desolado...

Vinha ele como sempre o faz quando um sujeito na rua o indagou: - meu chapa, você troca cinquenta reais? – o que ele misturando bondade e ingenuidade parou para ajudar o tal. Baixou ao chão a sua guia de venda, procurou no bolso o volume maior de dinheiro que leva exatamente para servir de troco e se pôs a contar o dinheiro. Iria atender àquele dito. Quando o interlocutor apresentando uma arma de fogo anunciou tratar-se de um assalto. Tomou todo o trocado, pegou ainda algumas peças para comer e mandou que o vendedor saísse correndo para não morrer.

A não ser que você pense como Robin Hood, há de concordar ser mesmo um monstro todo aquele que impõe a outro uma situação como essa. Independente da idade, sexo, porte físico ou condição social da vítima.

Por aqui ainda dizemos mais: Filho de uma puta!!!

OZEAS CB RAMOS
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